O Tribunal do Júri de Rondonópolis (a 220 km de Cuiabá), condenou nessa quinta-feira (30.01) Marcelo Lourenço da Silva e Wesley Musquim de Sousa a 118 anos e 6 meses de prisão cada um. Juntas, as penas somam 237 anos de reclusão. Os dois foram considerados culpados por três homicídios cometidos com extrema violência e sem chance de defesa para as vítimas, além de tortura, sequestro, cárcere privado contra 14 pessoas e participação em grupo criminoso armado.
A decisão dos jurados reconheceu que os crimes foram praticados por motivo torpe, com crueldade e de forma que dificultou qualquer reação das vítimas. Para cada um dos três assassinatos, os réus receberam pena de 30 anos de prisão. Também foram condenados a 10 anos e 6 meses por integrar organização criminosa armada. Pelos crimes cometidos contra as vítimas que sobreviveram, as penas foram fixadas em 10 anos e 6 meses por sequestro e cárcere privado e 7 anos e 6 meses por tortura. A soma resultou nos mais de 118 anos de prisão para cada um.
Segundo a investigação apresentada no julgamento, os crimes aconteceram nos dias 30 e 31 de maio de 2024. As vítimas eram trabalhadores nordestinos que haviam se mudado para Rondonópolis para trabalhar em uma fábrica de pré-moldados. Eles estavam alojados em uma residência no bairro Paiaguás quando foram surpreendidos pelo grupo.
Marcelo, Wesley e outros envolvidos invadiram o imóvel, renderam os trabalhadores e amarraram as vítimas com fios e arames. A ação foi motivada por uma suspeita sem comprovação de que os homens fariam parte de uma facção rival interessada em disputar o controle da região.
Onze vítimas foram separadas e levadas para outro endereço, onde ficaram em cativeiro por mais de 10 horas. Durante esse período, sofreram agressões, ameaças e tortura. O objetivo era forçá-las a confessar uma suposta ligação com uma organização criminosa rival.
Outras três vítimas foram levadas para uma área de mata e mortas. Antônio José dos Santos Filho, Rennan do Nascimento Barreto e Talison Ferreira da Silva foram brutalmente assassinados. Uma das vítimas foi asfixiada e depois atingida por disparo de arma de fogo. As outras duas morreram após golpes de arma branca.
Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que os réus faziam parte de uma estrutura criminosa organizada e tiveram participação direta nas ações. “Os réus integravam uma estrutura criminosa organizada e armada, responsável por capturar, torturar e executar pessoas como forma de controle territorial e intimidação”, afirmou o promotor de Justiça Fabison Miranda Cardoso aos jurados.
Ele também destacou o impacto dos crimes na cidade. “Esse tipo de atuação afeta diretamente a segurança da comunidade e afronta o Estado Democrático de Direito, exigindo atuação rigorosa das instituições de justiça”, disse.
O promotor Eduardo Antônio Ferreira Zaque reforçou a gravidade das condutas e a importância da condenação. “A pena aplicada é essencial para garantir que autores de crimes tão graves não voltem a colocar a sociedade em risco. As vítimas foram privadas de qualquer chance de defesa e submetidas a torturas brutais”, declarou.
As investigações apontaram que Marcelo e Wesley integravam a estrutura do grupo criminoso e atuaram tanto no planejamento quanto na execução das ações. Ao todo, sete pessoas foram denunciadas pelo caso. Os demais acusados seguem respondendo a processos separados.
*Com informações do MPMT
Sensação
Vento
Umidade



