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Com 50 feminicídios em 2025, Virginia Mendes propõe gabinete emergencial para unificar ações e amparar órfãos da violência em MT

Com 50 feminicídios em 2025, Virginia Mendes propõe gabinete emergencial para unificar ações e amparar órfãos da violência em MT

27/11/2025 às 11h36
Por: Redação Fonte: Momento MT
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Governador Mauro Mendes e a primeira-dama, Virginia Mendes, em setembro de 2024, quando assinaram termo para construção de 1.162 unidades habitacionais Crédito - Mayke Toscano/Secom
Governador Mauro Mendes e a primeira-dama, Virginia Mendes, em setembro de 2024, quando assinaram termo para construção de 1.162 unidades habitacionais Crédito - Mayke Toscano/Secom

O avanço da violência doméstica em Mato Grosso, que já acumula 50 feminicídios apenas em 2025, levou a primeira-dama do Estado, Virginia Mendes, a defender publicamente a criação urgente de um Gabinete de Combate à Violência Doméstica, estrutura inédita que centralizaria informações, integraria secretarias e coordenaria respostas rápidas a mulheres em situação de risco. A proposta, apresentada nesta quinta-feira (27) diretamente ao governador Mauro Mendes, surge em um momento crítico e reacende o debate sobre a capacidade do Estado de reagir diante de números que revelam uma escalada brutal e silenciosa. Cada uma dessas cinquenta mulheres assassinadas deixa marcas que ultrapassam a estatística: há dezenas de crianças que se tornam órfãs do feminicídio, um impacto devastador que ainda não encontra políticas específicas e integrais de acompanhamento.

 

Mesmo em viagem oficial fora do país, Virginia optou por gravar uma mensagem direcionada à população mato-grossense. O tom, firme e emocional, deu dimensão pública ao que, segundo ela, não pode mais esperar. “Como mulher, jamais ficarei em paz enquanto tivermos um único caso de feminicídio em Mato Grosso ou no Brasil. Cada crime machuca todas nós. Cobro leis mais duras e apoio todas as ações do Mauro, mas precisamos ir além”, afirmou, defendendo que a fragmentação atual entre secretarias, delegacias, unidades de saúde e serviços sociais compromete o tempo de resposta e, em muitos casos, impede que uma mulher seja protegida antes que a violência se transforme em morte.

 

A criação do gabinete pretende justamente romper essa barreira. A estrutura funcionaria como um centro permanente de coordenação, capaz de integrar dados, cruzar informações, mapear riscos, acompanhar vítimas e acionar de imediato diferentes pastas quando um caso exigir intervenção. Na prática, seria um “cérebro” da política pública de proteção, substituindo o modelo atual, no qual os fluxos muitas vezes se perdem entre diferentes órgãos e a vítima precisa repetir sua história diversas vezes até conseguir ser atendida. Virginia argumenta que esse sistema não é apenas ineficiente — ele é perigoso, porque produz lacunas que podem custar vidas.

 

Além do gabinete, a primeira-dama também propôs o aumento do benefício SER Família Mulher, voltado a mulheres em vulnerabilidade extrema, e a inclusão obrigatória do tema “combate à violência doméstica” no currículo escolar. Para ela, enfrentar o feminicídio exige não apenas medidas emergenciais, mas também ações estruturais e pedagógicas que quebrem ciclos de violência antes mesmo que eles se formem.

 

A urgência do debate é reforçada pelos números recentes. Mato Grosso chega ao fim de novembro com cinquenta mulheres assassinadas por razões de gênero, um recorte que revela um problema de fundo social e institucional. O Estado também enfrenta uma consequência silenciosa: crianças que perdem a mãe de forma abrupta e traumática, muitas vezes testemunhando a violência. Esses órfãos, frequentemente sem políticas integrais de acompanhamento psicológico, jurídico e social, tornam-se personagens invisíveis de uma tragédia coletiva.

 

A proposta segue agora para análise das equipes técnicas do governo. Se aprovada, deve reformular a estrutura de enfrentamento à violência em Mato Grosso, ampliando o papel da gestão estadual e oferecendo respostas mais rápidas e integradas. Ao final da mensagem, Virginia Mendes reafirmou que a pauta continuará no centro de sua atuação. “Não vamos descansar enquanto o feminicídio existir. A luta é diária, é permanente e exige todas as forças do Estado.”

 

A fala ressalta a dimensão política e social do momento: diante de números que não param de crescer e de famílias destruídas, especialmente crianças que ficam sem amparo, a demanda por um gabinete articulado não é apenas administrativa — é um chamado urgente para que o poder público reconheça que o feminicídio não é um fenômeno isolado, mas o resultado extremo de falhas acumuladas na rede de proteção. O governo agora carrega a responsabilidade de responder à altura.

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