
Nesta sexta-feira (7), Belém amanhece com o último dia da Cúpula de Líderes, que antecede a COP30, prevista para iniciar na próxima segunda-feira (10).
Na programação, líderes de todo o mundo se reúnem para debater desafios e compromissos no enfrentamento da mudança do clima. Um dos principais debates diz respeito aos dez anos do Acordo de Paris, onde mais de 100 países concordaram em buscar limitar o aquecimento global a 1,5°C até 2030.
No dia anterior, quarta-feira, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cobrou metas climáticas de outros países, destacando que muitos ainda não apresentaram suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).
O mandatário também defendeu que o multilateralismo é o caminho no enfrentamento das mudanças climáticas.
“O ano de 2025 é um marco para o multilateralismo. Celebramos os oitenta anos da fundação da Organização das Nações Unidas e os dez anos da adoção do Acordo de Paris. A força do Acordo de Paris reside no respeito ao protagonismo de cada país na definição de suas próprias metas, à luz de suas capacidades nacionais. O regime climático não está imune à lógica de soma zero que tem prevalecido na ordem internacional”, disse Lula.
Dentre as agendas do dia inteiro, o presidente deve presidir uma sessão temática sobre os dez anos do Acordo de Paris.
A COP30 enfrenta uma situação diferente das outras, uma vez que os Estados Unidos, chefiados pelo presidente Donald Trump, decidiram deixar o pacto.
Pouco depois de assumir a cadeira da Presidência, em janeiro deste ano, Trump afirmou que revogaria "dezenas de ordens executivas e ações destrutivas".
A decisão colocou os Estados Unidos ao lado do Irã, Líbia e Iêmen como os únicos países do mundo fora do acordo de 2015.
Na época, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30 destacou que foi o governo americano, e não os Estados Unidos que saíram do combinado.
"Quem está saindo do Acordo de Paris é o governo americano, mas não são os Estados Unidos. [...] Os Estados Unidos são essenciais por causa de tecnologia, por causa de ciência, de instituições que também estão sendo desafiadas. Mas a realidade é que vamos poder trabalhar com vários lados, várias dimensões dos Estados Unidos, que têm sido realmente muito positivas quanto ao fato de que uma gestão de quatro anos não seria suficiente para interromper vários investimentos pensando em prazos muito maiores”, afirmou durante entrevista ao "Roda Viva", programa da TV Cultura.
Em 2015, cerca de 190 países se reuniram em uma cúpula climática das Nações Unidas, em Paris para aprovar o que ficou conhecido justamente como Acordo de Paris, ou então, Acordo Climático de Paris.
A ideia era limitar o aquecimento global abaixo dos 2°C. No entanto, a resolução não é vinculativa; os países não são obrigados a reduzir sua poluição climática sob a lei internacional, de forma que cada nação define sua própria meta de poluição e os meios para alcançá-las.
Desde então, a mudança climática acelerou e o planeta está aquecendo em um ritmo que nem mesmo os cientistas previram.
De acordo com o analista de clima e meio ambiente da CNN, Pedro Côrtes, "o Acordo de Paris foi de fundamental importância para que nós começássemos a reduzir de maneira mais significativa as emissões globais".
Em seu entender, porém, o acordo precisa ser "aprimorado" e as ambições climáticas ainda "intensificadas".
"As ambições climáticas precisam ser intensificadas e se não fosse pelo Acordo de Paris, a nossa situação climática, a nossa perspectiva climática realmente não seria boa", explica.
Em discurso na abertura da Cúpula de Líderes, Lula destacou o Acordo como "o espelho das maiores qualidades e limitações da ação multilateral".
"Não podemos abandonar os objetivos do Acordo de Paris", pediu.
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