
Em entrevista o deputado estadual Eduardo Botelho, em seu terceiro mandato e após oito anos consecutivos à frente da presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), compartilhou sua visão sobre os desafios do Legislativo, os avanços alcançados e as perspectivas para o futuro do estado. Reconhecido pela habilidade de articulação política, Botelho defendeu que o papel do parlamento vai além de legislar: é também garantir equilíbrio, fiscalização e coragem para promover mudanças estruturais.

“Eu diria que de tudo que fizemos, o mais importante foi a recuperação fiscal do estado. Em 2019, Mato Grosso estava à beira da falência, sem conseguir honrar a folha salarial dos servidores. Foi preciso coragem para rever incentivos, mexer na previdência e ajustar a arrecadação. Essa foi a virada de chave que permitiu os investimentos em estradas, saúde e educação”, afirmou.
Segundo Botelho, a reestruturação financeira elevou a arrecadação estadual de cerca de R$ 12 bilhões para R$ 55 bilhões em poucos anos, criando condições para a construção de hospitais regionais, a reativação do Hospital Central – parado há quatro décadas – e a pavimentação de mais de 6 mil quilômetros de rodovias. “Esse é o legado: ter um Estado equilibrado, que cumpre seus compromissos e investe no cidadão”, destacou.
Parlamentarismo fortalecido
Um dos pontos enfatizados pelo deputado foi o modelo de liderança adotado durante sua presidência na ALMT. Diferentemente de gestões anteriores, que centralizavam poder na figura do presidente, Botelho diz ter apostado na construção de um parlamento forte. “Trabalhamos pelo convencimento e não por acordos escusos. Fortalecer o deputado foi fortalecer a Assembleia. Isso resultou em 19 dos 23 parlamentares reeleitos em 2018. Foi a política do ganha-ganha”, analisou.
Ele também defendeu a importância da palavra no exercício político. “A palavra de um político tem que valer. Quando eu dizia que faríamos algo, cumpríamos, sem precisar assinar nada. É isso que fortalece a confiança e mantém a boa relação dentro da Casa”, disse.
Desafios atuais: energia, agricultura familiar e violência contra a mulher
Se os avanços fiscais foram decisivos, Botelho reconhece que os desafios permanecem. Um deles é a renovação da concessão da Energisa, responsável pelo fornecimento de energia elétrica em Mato Grosso. O parlamentar criticou a forma como o processo vem sendo conduzido em Brasília. “Estão renovando um contrato de 30 anos às escondidas, sem ouvir a população. O atendimento é péssimo e temos uma das tarifas mais caras do país. Isso não pode ser feito sem cláusulas que garantam melhorias”, protestou.
Outro ponto que Botelho considera central é o fortalecimento da agricultura familiar. Apesar do protagonismo do agronegócio, ele alerta para a situação de fragilidade dos pequenos produtores. “Sonho em ver o agricultor familiar autossustentável, que produza, venda, compre seu próprio trator e dê dignidade à sua família. Para isso, precisamos de assistência técnica e de uma EMPAER fortalecida. Não podemos desmontar esse órgão, que é quem realmente chega até o pequeno agricultor”, argumentou.
A luta contra a violência de gênero também aparece entre as prioridades do parlamentar. Botelho é autor de projetos voltados à capacitação e inserção de mulheres vítimas de violência no mercado de trabalho, justamente para romper o ciclo de dependência financeira que mantém muitas delas em relações abusivas. “O feminicídio envergonha a todos. Precisamos de punição, sim, mas sobretudo de educação. É a cultura machista que mata, e é a educação que pode transformar essa realidade”, enfatizou.
Questionado sobre os rumores de que desejaria ocupar uma vaga no Tribunal de Contas, Botelho foi categórico: “Nunca tive esse desejo. Isso é especulação. O que existe de concreto é minha candidatura à reeleição como deputado estadual. Quero continuar trabalhando e avançando nos projetos que iniciamos”.
Com a aproximação de 2026, Botelho já projeta sua permanência na Assembleia, sustentado pelo legado de reformas fiscais, pelas pautas sociais e pela busca de equilíbrio entre os interesses do Executivo e do Legislativo. “Ainda há muito a fazer, principalmente na regularização fundiária, na saúde e no apoio às mulheres. É nisso que vamos focar”, concluiu.
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