
A missão Artemis II da Nasa foi lançada nesta quarta-feira, 1º, às 19h24, Centro Espacial Kennedy, na Flórida, nos EUA, marcando o retorno de voos tripulados ao redor da Lua após mais de meio século. Os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, dos Estados Unidos, e Jeremy Hansen, do Canadá, irão realizar um sobrevoo histórico pela órbita lunar nos próximos dias.
A jornada, programada para durar dez dias, iniciará com uma órbita elíptica ao redor da Terra, fase essencial para o teste dos sistemas de suporte à vida a bordo da Orion. Em seguida, a nave utilizará a propulsão de seu módulo de serviço para se deslocar em direção ao satélite natural. No ponto mais distante, os tripulantes terão uma vista privilegiada do lado oculto da Lua antes de aproveitarem a assistência gravitacional para o retorno, percorrendo cerca de 1 milhão de quilômetros até o pouso planejado no Oceano Pacífico.
O lançamento encerra um longo hiato que perdura desde dezembro de 1972, quando a Apollo 17 realizou a última presença humana em solo lunar. O programa Apollo foi descontinuado devido aos seus altos custos operacionais e à mudança de prioridades políticas, especialmente no contexto da Guerra Fria. Agora, por meio do programa Artemis, a Nasa não busca apenas repetir o feito, mas estabelecer uma presença sustentável no espaço profundo, utilizando a Lua como uma base estratégica para futuras expedições a Marte.
Diferentemente das missões subsequentes, a Artemis II não prevê o pouso no solo lunar. O objetivo central desta etapa é validar as capacidades da cápsula Orion e do foguete SLS (Space Launch System) com seres humanos a bordo. Trata-se de uma fase técnica crítica para garantir a segurança da Artemis III, que efetivamente levará astronautas à superfície lunar. A missão atual consolida o plano de “ocupação” ao testar a infraestrutura de comunicação e navegação necessária para a futura estação espacial Gateway.
O caminho até este lançamento, contudo, foi marcado por desafios técnicos e sucessivos adiamentos. Problemas no escudo térmico da Orion e falhas em válvulas do sistema de suporte à vida geraram questionamentos sobre a segurança da espaçonave. Além disso, o programa Artemis enfrenta críticas por seus enormes custos adicionais e está submetido à pressão do ex-presidente americano Donald Trump, que buscou acelerar o ritmo do projeto. A meta de seu governo era viabilizar o desembarque na superfície lunar antes de 2029, prazo que coincidiria com o término do segundo mandato.
A tripulação da Artemis II é composta por uma combinação de veteranos e estreantes de destaque. Reid Wiseman, o comandante, possui vasta experiência em voos espaciais. O piloto Victor Glover faz história como o primeiro homem negro a participar de uma missão lunar. O especialista de missão Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA), simboliza a cooperação internacional do projeto. Já Christina Koch, detentora do recorde de voo espacial contínuo mais longo por uma mulher, torna-se nesta missão a primeira mulher a viajar para as proximidades da Lua.
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