
O peão Flávio Ricardo do Espírito Santo, de 28 anos, atacado por uma onça-pintada em fazenda no Pantanal do Paiaguás, em Corumbá (MS), teve alta do hospital nessa quarta-feira (15) após ficar 12 dias internado. A informação foi confirmada ao g1 pela esposa de Flávio, Sandra Coelho da Silva.
Conforme Sandra, ele passou por cirurgia para retirar as garras da onça que ficaram presas na perna esquerda. Não há informações sobre o estado de saúde dele depois do procedimento. Ele também já havia passado por outra cirurgia na perna, que não foi detalhada pela família.
O ataque ao trabalhador aconteceu quando Flávio retornava dos cuidados com o gado. Ao Corpo de Bombeiros ele relatou que estava em cima de um cavalo quando se aproximou da carcaça de um animal e foi surpreendido pela onça. A esposa relatou aos militares que ele conseguiu pedir socorro a um colega por um rádio comunicador.
O homem teve ferimentos graves na cabeça e na perna esquerda. Ele também teve cortes nas mãos, nos braços e arranhões pelo corpo. Apesar dos ferimentos, o trabalhador foi socorrido consciente, orientado e em estado estável.
Flávio foi atacado por uma onça no dia 4 de outubro enquanto voltava do manejo do gado em uma fazenda que trabalhava.
À época do ataque, a esposa do peão disse que a onça derrubou o marido do cavalo que estava quando ele se aproximou de uma carcaça de animal.
Apesar dos ferimentos, Flávio foi socorrido consciente, orientado e em estado estável. Ele ficou internado na Santa Casa de Campo Grande.
O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) acompanha o caso, em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O g1 conversou com especialistas para entender os possíveis motivos que levaram o felino a atacar o homem. Para o Coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rogério Cunha de Paula, não é possível determinar com exatidão o real motivo do ataque.
Contudo, o especialista destaca que as avaliações técnicas apontam o comportamento do felino como uma resposta a uma situação em que o animal se sentiu ameaçado.
"O ataque não ocorreu pelas costas e foi uma resposta da onça a um incentivo negativo, ou seja, pode ter sido provocado pela aproximação [do trabalhador] a uma carcaça, por exemplo. É uma resposta da onça por causa dessa aproximação ou porque se sentiu ameaçada. A intenção não foi de matar, e sim de repreender, por isso que os ferimentos são arranhões e não mordidas", explica Rogério.
O biólogo Henrique Abrahão Charles também indica que o ataque foi, na verdade, um comportamento de defesa do felino.
"Os pantaneiros têm conhecimento de que há três situações que as onças atacam e eles não devem chegar perto maneira nenhuma. A primeira é de uma onça que pariu, a segunda é de onças no período de acasalamento, já que o macho fica muito violento e, a terceira, quando a onça está protegendo o alimento, está protegendo a carniça", comenta Henrique.
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